31/08/09

Os Celtas


Um Pouco de História

Os celtas eram um conjunto amplo de tribos que floresceram entre os séculos VIII e I antes de Cristo. Os gregos os chamavam "Keltoi", e daí a palavra "celta", e os romanos os denominaram "Galli", o que está na origem do nome de "Galos". Na época de esplendor da sua civilização, os celtas ocuparam uma zona que se estende do Mar Negro até o Oceano Atlântico e, rumo ao norte, até o Mar Báltico. Quando os romanos colonizaram o território celta, algumas das povoações e seus costumes foram assimilados, mas muitas foram destruídas. Já em tempos da conquista romana, no século III depois de Cristo, a cultura celta só sobrevivia em grandes áreas da Grã Bretanha e do norte da Europa. Dado que a Irlanda e o norte da Escócia não foram nunca colónias romanas, permaneceram completamente celtas.











Os Celtas de Outrora

O que sabemos dos celtas provém em grande parte de relatos de observadores, pois os próprios celtas confiavam na tradição oral para transmitir seus conhecimentos. Tanto os homens como as mulheres, eram famosos pela sua beleza física, suas extraordinárias habilidades equestres e o seu valor na batalha. De facto, existe uma estátua de Boadica, a intrépida rainha guerreira que liderou uma rebelião contra os romanos, no Victoria Embankment de Londres (Reino Unido). Os sacerdotes celtas se chamavam druidas; são pouco conhecidos os pormenores das suas cerimonias, mas o seu poder era enorme. Na Irlanda antiga, era proibido que o rei falasse antes do druida!





A Cultura Celta Moderna

Hoje em dia, a cultura celta continua muito viva na Irlanda (Eire), Escócia (Alba), Gales (Cymru), Cornualles (Kernow), na Ilha de Man (Mannin) no Reino Unido, e na Bretanha (Breizh) na França. Os idiomas celtas - o gaélico irlandês e escocês, o galés, o bretão, e cornoalhês- ainda se falam nessas áreas e se utilizam em retransmissões por rádio e televisão, bem como nas escolas e nos meios de comunicação impressos.

A habilidade dos antigos ferreiros celtas ainda se pode ver hoje nos cada vez mais populares motivos com o nó celta, empregado em jóias e têxteis. Porém, é certamente a música celta a herança desta cultura que teve mais impacto. Podemos agradecer aos celtas as harpas, as canções folclóricas irlandesas e as gaitas escocesas, o antecessor do violino moderno e o tambor Bodhrán! Pensem em todos os músicos modernos de sucesso, nos âmbitos da música pop e folclórica, que são descendentes desta cultura: Van Morrison, U2, Sinead O'Connor, os Cranberries, os Corrs, os Chieftans, os Corries – há um fabuloso gene musical no mundo celta!



Música Celta e Festivais

A música celta se celebra em muitos festivais da Europa. O Festival Nacional de Eisteddfod de Gales (Reino Unido), em Cardiff, remonta ao século XII! Hoje festival de música internacional, no seu programa se destaca um Dia Celta especial. Igualmente, no Festival Internacional de Música Celta que se celebra na Espanha, antigamente numa região celta, se destaca uma variedade de músicas com um ponto de vista celta. O Festival InterCéltico em Lorient, um município da Bretanha (França), é conhecido como “omelhor evento para as expressões contemporâneas das regiões celtas”. Podem desfrutar da música tradicional escocesa no ambiente mais íntimo dos pubs e dos clubes de ambiente folk. Enquanto viaja pela Escócia, poderá visitar um assentamento da Idade de Ferro, nas margens de um lago, no Centro Escocês de Crannog, e contemplar como eram as quintas de outrora!

O Município de Donegal (Irlanda) alberga o Festival Internacional Pan-Céltico. Promove a música, a dança, os desportos e o artesanato celta com representantes das Seis Nações Celtas. Mais para o sul, una-se à multidão no Festival Celta de Kilkenny para uma celebração outonal de tudo o que é celta. A Ilha de Man (Reino Unido) é a sede do Festival Inter-Céltico de Yn Chruinnaght. Enquanto estiver na ilha, berço do gato sem rabo Manx e o carneiro de quatro cornos, desfrute das compras, os parques e o belo litoral. Durante todo o ano, Celtic Harmony, em Hertfordshire, Inglaterra, oferece oportunidades para toda a família aprender mais sobre a vida na Idade de Ferro e sobre como as tradições celtas respeitam o ambiente natural.


Os Celtas na Europa Continental

Embora se encontrem poucos exemplos tangíveis da outrora importante civilização celta continental, persistem outros vestígios: O nome “Bélgica” provém de “Belgae”, a denominação romana para a tribo celta que habitava a região; o nome “Paris” (França) provém da tribo celta Parisii. Existem indícios claros da existência de minas da idade celta em Banksa Stavnica, Eslováquia; umas ruínas celtas se encontram ao lado de vestígios romanos na margem Buda de Budapeste (Hungria), o antigo povo de Augusta Raurica (Suíça) demonstra o efeito da cultura celta sobre os romanos.

Visitem o norte de Portugal e as regiões da Galiza, Astúrias e Cantábria na Espanha, onde o legado celta subsiste com força. Explore os vestígios de povoações fortificadas da Idade de Ferro e visite museus com belas relíquias celtas como jóias e cerâmicas. Ainda se podem identificar semelhanças na música, por exemplo, na gaita galega (gaita galega) e em danças da Península Ibérica com os seus homólogos escoceses e irlandeses, graças a seus antecedentes celtas comuns!



Tarde te amei

"Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!

Tu estavas dentro de mim e eu procurava-te fora de mim.

Como um animal procurava as coisas belas que tu criaste.

Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo.

Mantinham-me atado, longe de ti, essas coisas que, se não fossem sustentadas por ti, deixariam de ser.

Chamaste-me, gritavas-me, rompeste minha surdez.

Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e expulsaste dos meus olhos a cegueira.

Exalaste o teu Espírito e aspirei o seu perfume, e desejei-te.

Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e abrasei-me na tua paz."

Santo Agostinho

30/08/09

Tenho Tanto Sentimento

"Tenho tanto sentimento

Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,

Mas reconheço, ao medir-me,

Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos

É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira

Que a vida que a gente tem

É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa


29/08/09

Siddhartha Gautama


Histórias sobre centenas de vidas passadas do Buddha são relatadas em antigos contos conhecidos como Jatakas. Ele era um bodhisattva, isto é, alguém que passou muitas eras praticando as perfeições que conduzem à Iluminação. Depois de completá-las, ele desceu do paraíso de Tushita e renasceu como um príncipe no norte da Índia, por volta do século VI a.C. A vida desse príncipe também é narrada em muitos textos tradicionais.
Naquele tempo, a Índia estava dividida em pequenos estados e a sua sociedade era dividida em castas. Desde aquela época, já havia uma grande diversidade de práticas religiosas.
Certa vez, a rainha Maya do clã dos Shakyas sonhou com um elefante branco que trazia uma flor de lótus na sua tromba. Ela contou este sonho ao seu marido, o rei Shuddhodana, mas ele não soube interpretá-lo.
Os sábios brâmanes esclareceram que o sonho era o prenúncio do nascimento de um filho prodigioso. Ele se tornaria um monarca universal ou um monge. O nascimento do menino, cercado de eventos auspiciosos, aconteceu no jardim de Lumbini.
Ele seria chamado de Sarvarthasiddha Gautama — "aquele da família Gautama que realiza todas as suas metas" —, logo simplificado para Siddhartha Gautama — "aquele da família Gautama que realiza suas metas".
Um velho eremita brâmane chamado Asita descobriu vários sinais no corpo do bebê e previu que o príncipe se tornaria um ser iluminado. A rainha Maya faleceu uma semana depois de dar à luz e a criança passou a ser cuidada pela tia, Prajapati.
Durante sua infância, Siddhartha foi educado pelos melhores professores do seu tempo e atingiu excelência em todos os campos de conhecimento. Ele também desenvolveu grandes habilidades marciais e venceu um torneio de artes militares, obtendo o direito de se casar com sua bela prima Yashodhara.
Na tentativa de entreter Siddhartha, o rei Shuddhodana deu-lhe três grandes palácios, onde desfrutava das melhores comidas, bebidas, vestimentas e prazeres.
Quando Siddhartha saiu pela primeira vez dos palácios, ele se encontrou com um velho, um doente, um morto e um asceta. Angustiado com o que viu, o príncipe fugiu para a floresta a fim de se dedicar à prática espiritual e encontrar o fim do sofrimento.
Seu único filho, Rahula, nasceu na noite em que ele decidiu partir. Apesar do coração repleto de afeição pela esposa e pelo filho, ele não hesitou em deixar seus palácios para buscar o caminho da prática espiritual. Como símbolo de sua renúncia, Siddhartha cortou seus longos cabelos com uma espada.
Siddhartha passou a praticar austeridades na floresta, sendo acompanhado por outros cinco ascetas. Depois de seis anos, ele percebeu que este estilo de vida não traria o fim do sofrimento.
Subitamente, ele compreendeu que a entrega aos prazeres mundanos e ao ascetismo são dois extremos; o ideal é seguir um caminho intermediário, o caminho do meio.
Uma jovem pastora chamada Sujata decidiu fazer uma oferenda de leite e arroz aos seres divinos da floresta. Aquele era um gesto de agradecimento por ela ter conseguido um filho.
Ao ver Siddhartha meditando na floresta, Sujata pensou que ele fosse uma divindade e lhe entregou a oferenda. Siddhartha se alimentou e logo recuperou a saúde.
Os outros ascetas pensaram que ele tinha abandonado sua busca pelo despertar e deixaram-no para trás. Siddhartha foi então para Bodh Gaya, onde os seres iluminados do passado atingiram o despertar. Ele se sentou sob a figueira de bodhi e jurou que só se levantaria após atingir a Iluminação.
Mara, o demónio do ego, tentou distrair Siddhartha de sua meditação. Suas três filhas — a cobiça, a raiva e a ignorância — tentaram seduzi-lo, mas não tiveram sucesso.
As hordas de demónios tentaram atacá-lo, mas suas flechas, pedras e bolas de fogo transformaram-se em pétalas e faíscas. Siddhartha tomou a terra como sua testemunha e continuou a meditar.
Na primeira vigília da noite, ele contemplou a sucessão de todas as suas vidas passadas. Na segunda vigília, ele contemplou o karma — o modo como as acções e seus frutos condicionam todos os seres. Na terceira vigília, ele contemplou o sofrimento, sua causa, sua cessação e o caminho que leva à cessação.
Pela manhã, Siddharta finalmente atingiu o bodhi — a Iluminação, o despertar — e exclamou, "Maravilha das maravilhas, todos os seres são completos e perfeitos, dotados de virtude e sabedoria, mas os pensamentos ilusórios impedem que percebam isso!"
A partir de então, ele passou a ser conhecido como Buddha — o Iluminado, o Desperto — e como Shakyamuni — o Sábio dos Shakyas.
Durante os 49 dias seguintes, o Buddha Shakyamuni permaneceu em meditação. Inicialmente, ele pensou que os seres seriam incapazes de compreender o Dharma, o caminho que leva à Iluminação.
Entretanto, um ser divino ajoelhou-se aos seus pés e implorou que ele desse ensinamentos. Cheio de amor e compaixão pelos seres, o Buddha então decidiu transmitir o Dharma.
Buddha Shakyamuni procurou os ascetas que tinham sido seus companheiros e lhes concedeu os primeiros ensinamentos. Eles se tornaram os primeiros monges e assim surgiu a Sangha, ou comunidade buddhista.
O Buddha passou a viajar constantemente para expor o Dharma, atraindo muitos discípulos. Em três meses, sessenta discípulos já tinham atingido a santidade.
Eles foram enviados a várias direcções como mensageiros do Dharma, "para o benefício de muitos, para a felicidade de muitos, por compaixão pelo mundo".
O Buddha Shakyamuni visitou o seu reino, dando ensinamentos a seus amigos e parentes, incluindo seu pai, seus tios e seus primos.

Muitos deles tornaram-se monges e entraram para a ordem monástica buddhista.

Seu filho Rahula também foi ordenado como monge noviço e mais tarde atingiu a santidade.
Seu pai, Shuddhodana, atingiu a santidade em seu leito de morte. O próprio Buddha Shakyamuni cuidou de seus funerais.
Após a morte do pai, sua tia Prajapati e sua esposa Yashodhara tornaram-se as primeiras monjas buddhistas.
Seu primo e atendente, o monge Ananda, foi muito importante para o estabelecimento da ordem monástica feminina.
A cada ano, na estação das chuvas, o Buddha Shakyamuni reunia-se com seus discípulos para fazer um retiro.
Generosos benfeitores doaram mosteiros para a comunidade buddhista se reunir e fazer seus retiros.
Certa vez, ao fazer um retiro solitário na floresta, o Buddha foi atendido por um elefante e um macaco.
Um temido assassino chamado Angulimala tinha matado 999 pessoas e carregava no pescoço uma guirlanda com dedos de suas vítimas.
O Buddha Shakyamuni seria sua milésima vítima, mas depois de conhecê-lo, Angulimala tornou-se monge.
Com seu amor e compaixão, o Buddha viu que ele tinha capacidade de cultivar a amizade e a bondade.

No futuro, até mesmo Angulimala atingirá a iluminação e se tornará um buddha solitário.

Aos 80 anos de idade, o Buddha Shakyamuni proferiu seus últimos ensinamentos e atingiu a libertação final, ou parinirvana, em um bosque da cidade de Kushinagara. Uma semana depois, seu corpo foi cremado e suas relíquias foram divididas, sendo preservadas em muitos relicários.
Quando desaparecerem todos os ensinamentos do Buddha Shakyamuni, o bodhisattva Maitreya descerá do paraíso de Tushita e renascerá em nosso mundo para se tornar o próximo Buddha.

22/08/09

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Quando me Amei de Verdade


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exacto.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projectos megalómanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!

Charles Chaplin